Poeta , Editor, ex-Diretor do INEPAC, Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, e membro do Conselho Estadual de Tombamento.

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sábado, outubro 8

Porém tua... A escuridão prossegue ...

Dos Poemas Gregos

Série Terceira 

Alexei Bueno


Os homens, quando crianças, são eternos,
De Tânatos a face os não marcou
            Ainda, e eles a fitam
                        Como a de um deus distante.

O da Noite dileto filho a eles
Parece, com seus pés tortos e velhos,
            Como um deus sem poderes
                        Por tão longe o seu cimo.

Os outros, diurnos deuses, de sua olímpica
Vida eterna, estes sim, parecem próximos
            Pois deles é o instante
                        Do amor e da conquista.

Porém, depois, são eles que estão longe,
E a criança senil, que não viria,
            Acerca se, e nos mostra
                        Seu paciente poder.




                                  ***             



Pobre Leucipo, contra ti o destino
Se armou de crespo olhar. Também para outros
Com de razões igual ausência, ele
              Abriu a meiga face.

Tu no entanto da mais baixa rameira
De Atenas foste fruto, e a vida toda
Levaste, além do pejo, a acre suspeita
            De ver teu pai num desses

Nobres velhos que pela ágora em grupo
Sorrindo passam com seus finos trajes,
E se nenhum foi teu por glória, todos
             O foram por vergonha.

Depois pediste aos deuses a ventura
Que vias claramente, mas teus dias,
Mais brancos do que o mármore, fugiram te
            Como do porto as naves.

E sem uma hora de triunfo na alma,
E sem uma memória na dos outros,
Certa tarde na acrópole, das nuvens
              Inchadas de tormenta,

Um fulminante raio, mais preciso
Que outro qualquer que Hefestos fabricara,
Em bloco de carvão, por Zeus mandado,
            Te fez perante os homens.

Desde esse dia lembram-te com honra,
Desde esse dia, vítima de um deus
Caprichoso, ao teu túmulo se estendem
             Os olhos dos que vivem.

Desde esse dia olvidam te a ascendência,
E o de teus dias pântano asqueroso.
Assim, qual luz na treva, nesta treva
            Tanto arde um brilho estranho!

Por ser prova aos que crêem de uma ausente
Vontade, e de uma lógica lendária.
E é assim que ao receber tal fogo, um fogo
           Ateaste na esperança

Dos mortais, que divino hoje te tomam,
Pela assassina luz, que ao te ser morte
Foi mais do que ela a eles. Porém tua
            A escuridão prossegue.